Reportagem de Ana Deicke  

Quando falamos em alimentos orgânicos, sabemos que eles trazem benefícios para a saúde e para o ambiente. Porém, não sabemos por quais processos eles passam que os diferenciam dos produtos convencionais. 

Antes de começar a falar sobre os processos que esses alimentos passam para chegar a nossa mesa, é essencial explicar o que é um alimento orgânico.. 

A produção

O sistema orgânico não é igual ao sistema convencional, pois prioriza a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente. São várias técnicas de produção. No esquema abaixo, você vai conhecer uma delas:

Fonte: Elaboração própria

Na maioria dos casos, são famílias de pequenos agricultores que produzem alimentos orgânicos. A família Buske, de Paraíso do Sul, é uma delas. Eles produzem frutas, verduras e legumes. 

Os Buske começaram a produzir alimentos dessa forma por se preocuparem com a qualidade de vida deles e de outras pessoas.
Uma pesquisa realizada pela Orgânis, uma entidade do setor, mostra que os alimentos orgânicos movimentaram R$ 4,6 bilhões em 2019. Um faturamento 15% maior do que em 2018, quando ficou em R$ 4 bilhões. Ainda, segundo a mesma pesquisa, 19% dos entrevistados disseram ter ingerido algum produto orgânico nos últimos 30 dias. A taxa é 4% mais alta do que em 2017. O certificado que garante procedência orgânica é conhecido por metade dos entrevistados. 

Os agricultores ressaltam que o maior desafio de produzir alimentos orgânicos são o clima e as condições do tempo. Quanto à venda, não há problemas: “Teve uma ótima aceitação e muita procura”, afirma a agricultora Aline, indo de acordo com a pesquisa realizada pela Orgânis.

A Certificação

É necessário conhecimento, experiência e profissionalismo para cumprir todos os
requisitos e receber a certificação orgânica. Anderson Bortoli, há doze anos no ramo de beneficiamento de farinha de milho e variedades de arroz, explica como funciona esse processo.

Para não cair em armadilhas é preciso estar atento. No slide abaixo, separamos alguns dos selos mais vistos nas prateleiras. É importante lembrar que, sem essas certificações, não há garantias de que os produtos são orgânicos. 

A Distribuição

Para Bortoli, “os supermercados e lojas são canais diferentes de comercialização”. O supermercado tem um tipo de público em específico, mais prático, capaz de dar visualização e volume para a venda. Os preços podem variar bastante de um para outro estabelecimento. Já as lojas têm público mais seleto, que quer atenção, customização, e um atendimento mais personalizado.

O Consumidor

Para o agrônomo Fabio Forgiarini, da Emater de Agudo-RS, “esse perfil de consumidores é variado, mas é muito relacionado a pessoas que optam por uma vida mais saudável, principalmente pessoas que deixam de comer carne”. Alguns pacientes que passam por graves enfermidades e têm recomendação médica para consumir produtos naturais, além de pessoas da terceira idade que se preocupam com a origem dos alimentos, são públicos-alvo destacados pelo agrônomo.
A aposentada Rosani Teichmann sentiu na pele a necessidade dar mais atenção para a alimentação. Depois de ser diagnosticada com diabetes e pressão alta, orientada pelo seu médico, começou a escolher melhor seus alimentos. “Se tivesse tido conhecimento da importância de consumir alimentos com essa característica antes, talvez não estaria tendo que passar por tantas restrições”, ela reflete.

O preço final

Para entender melhor essa diferença que pode acontecer de um produto industrializado para um orgânico, realizamos uma pesquisa em diversos supermercados para saber quanto está o quilo do feijão, produto mostrado anteriormente na reportagem. Vale lembrar que – devido à pandemia que estamos vivendo – essa pesquisa foi feita nos folhetos disponibilizados on-line pelos mercados mais conhecidos de região. O quilo mais barato de feijão industrializado encontrado foi de R$ 7,00 já o quilo do feijão orgânico está em média R$ 8,00. Como não são usados agrotóxicos, o controle de plantas invasoras, conhecidas também como “plantas daninhas” é feito à mão. Nesse caso, o produto se torna mais caro devido à mão de obra, o que – por outro lado – garante um produto mais saudável.

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