Reportagem de Fabian Lisboa 

No ano de 2016, as Nações Unidas (ONU), apresentaram um relatório, constatando que juntos, todos os países do mundo geraram 44.7 milhões de toneladas de lixo eletrônico, mais ou menos 6 quilogramas por habitante do planeta. 

Lixo eletrônico é todo o equipamento eletrônico ou elétrico descartado como lixo e se divide em quatro grupos:

Linha branca: refrigeradores e congeladores, fogões, lavadoras de roupa e louça, secadoras e condicionadores de ar.

Linha marrom: monitores e televisores de tubo, plasma, LCD e LED, aparelhos de DVD e VHS, equipamentos de áudio e filmadoras. 

Linha azul: batedeiras, liquidificadores, ferros elétricos, furadeiras, secadores de cabelo, espremedores de frutas, aspiradores de pó e cafeteiras. 

Linha verde: computadores, acessórios de informática, tablets, celulares e videogames. 

Com a aceleração do crescimento da indústria eletrônica, e a sua renovação a cada três ou quatro meses, fica quase impossível controlar o maior acumulo de resíduos. Esse material quase sempre não ganha um destino correto resultando em grandes danos ao meio ambiente. 

Especialistas da ONU prevêem que no ano que vem, serão produzidos mais ou menos 52 milhões de toneladas de lixo eletrônico ao redor do mundo.  

Ranking dos cinco países que mais produzem lixo eletrônico segundo a ONU:

 

1º – China: 7,2 milhões de toneladas

2º – Estados Unidos: 6,3 milhões de toneladas

3º – Japão: 2,1 milhões de toneladas

4º – Índia: 2 milhões de toneladas

5º – Alemanha: 1,9 milhões de toneladas

*O Brasil ocupa a sexta colocação no ranking com 1,5 milhões de toneladas produzidas de lixo eletrônico. 

Os brasileiros possuem 420 milhões de dispositivos digitais, como computadores, celulares e esses números só tendem a aumentar. Se algo não for feito para quando esse material for descartado, sérios problemas podem ser causados ao meio ambiente e a população.   

O grande dano ao meio ambiente, causado pelo descarte irregular do lixo eletrônico, são as substâncias químicas liberadas no meio ambiente, como chumbo e mercúrio. Essas substâncias podem provocar contaminação do solo e da água além de provocar doenças graves aos seres humanos.

Além de que dispositivos como celulares e computadores possuem grande quantidade de materiais que demoram anos para se decompor, causando grande impacto ambiental. 

No ano de 2016, a Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre), fez um levantamento dos estados que geram mais lixo eletrônico no país. O estado de São Paulo ficou em primeiro na lista, com cerca de 448 mil toneladas ao ano. O Rio de Janeiro figura na segunda posição, com aproximadamente 165,2 mil toneladas de resíduos, seguido por Minas Gerais com 127,4 mil toneladas anuais. 

O estado do Paraná aparece na quarta posição com cerca de 86,8 mil toneladas de lixo eletrônico. O Rio Grande do Sul fecha a lista dos cinco primeiros, com aproximadamente 61,6 mil toneladas do material.

 

Um pequeno exemplo, visando grandes resultados

 

Em São Sepé, cidade vizinha de Santa Maria, desde o ano de 2016, a Prefeitura Municipal tem uma parceria com a empresa Natusomos, de Horizontina, especializada na coleta, separação e reciclagem de eletrônicos. 

Todos os anos a empresa disponibiliza um caminhão, para a população levar o seu eletrônico sem utilidade, para ser descartado da forma correta. A ação intitulada “E-Lixo” visa conscientizar a população sobre o descarte correto desse tipo de lixo e colaborar com o meio ambiente. 

De acordo com o Fiscal Ambiental da prefeitura, Filipe Giuliani, a proposta é que a cada ano se consiga recolher o maior número de lixo eletrônico possível. Objetos como celulares, computadores, televisores, podem ser destinados. No caso das lâmpadas fluorescentes o descarte correto deve ser feito onde a pessoa comprou o material.

Para Leandro Ineu, Secretário Adjunto de Administração, a idéia da ação é que vire algo natural para a população o descarte correto desse material. 

“O lixo eletrônico não pode ser simplesmente jogado no meio ambiente. Um dos principais problemas no descarte incorreto é o fato de que este lixo contém substâncias químicas, podendo assim gerar contaminação na água e no solo. Além da dificuldade da decomposição desses materiais pelo solo”, ressaltou ele. 

No mês de fevereiro deste ano, o presidente Jair Bolsonaro, assinou um decreto que estabelece regras para implementação do sistema de logística reversa para produtos eletrônicos, onde fabricantes e importadores desses produtos, devem se responsabilizar pelo descarte dos mesmos, a fim de reduzir os impactos no meio ambiente.

 

Esta medida deve ser implantada até 2025, nos 400 maiores municípios do país. A estimativa é de que, até 2025, cinco mil pontos de coleta de lixo eletrônico estejam funcionando no Brasil. 

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