O que não é aproveitado na sua casa, pode ser usado na casa ao lado

Reportagem de Wellerson Leal

Seis toneladas de lixo. Essa é a quantidade de resíduos descartados no município de Santa Maria todos os meses, ainda que grande parte destes resíduos tenha potencial para ser reciclada ou reutilizada. 

 A reciclagem é responsável pelo ato de transformar algo inútil – que não seria mais utilizado – em algo útil. Ao colocar o material em um novo ciclo de produção, dá-se uma nova vida a ele. O que era considerado lixo é transformado e volta como um novo produto para a casa das pessoas.  

Para ajudar nas despesas do lar, a empregada doméstica Neide Hortência Rosa, 56 anos, utiliza recicláveis e ressalta a importância para o meio ambiente: “Um cidadão consciente sabe que a natureza precisa de ajuda para criar uma relação mais harmônica entre o ser humano e o meio ambiente, além de ajudar financeiramente”.

Assim como Neide, Vanderlei da Silva Flores, de 48 anos, que atualmente trabalha com coleta de resíduos, enfatiza os benefícios da reutilização e da reciclagem: “Essa ação simples pode trazer uma série de benefícios. Separando os materiais recicláveis (plásticos e metais, por exemplo) de nosso lixo e enviando-os para as cooperativas de reciclagem ajudamos a diminuir a quantidade de resíduos que vão parar nos lixões e ainda geramos renda para várias pessoas, inclusive a minha família. Sustento minha mulher e meus 4 filhos apenas com esses materiais mas, infelizmente, há pessoas que me veem como ‘mendigo’. Mal sabem elas que eu estou fazendo bem para o meio ambiente”.

Ainda sobre a reutilização, Vanderlei destaca as vantagens em realizar esse trabalho: “Ao reaproveitar materiais, estamos colaborando com o meio ambiente, dando outra função para os restos de lixo. Diminuem os gastos pelo fato de não se comprar material novo”. Materiais antigos e artesanais têm tendência a valorizar-se em termos econômicos ao longo do tempo. “Já encontrei um móvel antigo atirado na beira do barranco. Levei para casa, pintei com verniz e depois consegui vender por um preço excelente.”, destaca Vanderlei. 

Cooperação para o bem

A Associação de Selecionadores de Materiais Recicláveis de Santa Maria (Asmar) é baseada no cooperativismo, com pessoas unidas pelo voluntariado e interesses em comum. Por isso, a parte econômica é organizada de forma democrática e de acordo com a participação dos associados. Atualmente, 47 famílias de recicladores são beneficiadas pelo trabalho.

Por mês, cada membro consegue, em média, um salário mínimo. A divisão é feita de acordo com a hora trabalhada, controlada por uma planilha. A alimentação é realizada no próprio galpão, tendo a despesa dividida entre os selecionadores e, segundo a coordenadora Margarete Vidal, o valor gasto nas refeições se aproxima de R$700,00 por mês. 

A Asmar é a única recicladora licenciada junto à prefeitura municipal. A instituição possui dois caminhões para a coleta dos resíduos recicláveis. O serviço não tem custo à população, basta fazer um cadastro junto da instituição ou entrar em contato pelo telefone (55) 98111-0146. A aprovação se dá no mesmo dia. Os materiais coletados pela associação são papéis, metais, vidros e plásticos.

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